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  • De carro por aí: vendas do Mobi aumentam
  • Um ano após o lançamento, vendas do subcompacto da Fiat parecem decolar
  • Por Roberto Nasser

    Coluna 2817 12.junho.2017 edita@rnasser.com.br

    Mobi agrada e cresce em vendas

    Usualmente lançamentos de produtos provocam compras iniciais turbinadas pela emoção e após baixam à linha de normalidade, permitindo previsão de consumo pelo mercado. O advérbiousualmenteé bem válido, e por presunção ocorrerá com o Renault Kwid a ser apresentado ao início de agosto. Mas há exceções, e o inusual ocorre com o concorrente Fiat Mobi, mais recente delas. Não se localiza com precisão a causa de sua baixa demanda inicial, mas com certeza resulta da soma de dois fatores: primeiro, o tíbio retorno da imprensa especializada, mídia gratuita e primeiro passo em lançamento de veículos, alguns textos contaminados pela má apresentação. Segundo, à mostra nova direção da FCA insistiu em juntar públicos não miscíveis: jornalistas especializados e novo segmento blogueiro. Este, dentro de sua especialidade superficial, nos canais sociais cobriu o lançamento exibindo fotos do tipoEu e o Mobi, sem maiores informações quanto ao produto. Como adição, na festa de lançamento no segundo grupo viu-se o desconhecido, arrepios e abrasões. E pela aparente nova óptica suprimiu-se explanação técnica – exigência básica da primeira categoria, óbvia desnecessidade à segunda.

    Outra parcela foi lançá-lo com o motorFire1,0 litro, 75cv, quatro cilindros, em última evolução, fim de linha. Os dois eventos não instigaram os consumidores e em junho de 2016 o Mobi foi comprado em poucas 2.822 unidades. Logo empresa aplicou como opção o novo motor Firefly 3 cilindros, também 1,0 litro, 6 válvulas, 72/77 cv e 10,4/10,9 mkgf de torque. Medida soprou ar favorável sobre o carro, fazendo crescer a demanda, sedimentando a consciência de ser adequado ao uso citadino, bem-disposto, e até o momento o mais econômico do país.

    Mais recente incremento é combinar o sistema automatizador antes chamado Dualogic e agora GSR, com aletas de acionamento apostas sob o volante, com motor tricilíndrico. O sistema inclui adjutório para identificar pressão no acelerador para ultrapassagens; busca marcha inferior e mantém o motor em alta rotação. No pacote manteve a funçãoCreeping, para manobrar sem necessidade de premer o acelerador. Identifica a versão comoDrive GSR, e o conforto da desnecessidade de múltiplos acionamento do pedal da embreagem no trânsito. Há versão com caixa de acionamento mecânico, 5 velocidades, com o antigo motor Fire.

    Na ascensão, um ano depois registrou mês passado 6.562vendas a varejo,bem superando o VW up! até então a referência num segmento muito particular do mercado, o dos subcompactos. Aparentemente houve lento entender do significado do produto, a consciência de não ser um Uno mais barato, apesar do nome bem achado para exprimir Mobilidade Urbana. É para andar nas cidades, parar nas vagas menores, cumprir agenda de solteiros ou famílias pequenas e com filhos de pouca altura, porta malas para necessidades especificamente urbanas. O motor Firefly de projeto novo é bem-disposto, avaro em consumo; freios bem dimensionados; estabilidade e acertos de suspensão primorosos, como o são os da marca; bom casamento entre motor e transmissão automatizada com passagem de marchas sem trancos. É um carro urbano. Andar na estrada é concessão, não é vocação.

    Mais perto da autonomia

    Audi apresentou em seu Audi Summit, uma reunião de tecnologia para mostrar conquistas a público externo, o sedã A8, primeiro carro com Nível 3 de automação produzido em série no mundo – o famosoandar sozinhoé o Nível 4.

    É evolução de tecnologias já disponíveis, factíveis por 12 sensores ultrassônicos, lendo placas de sinalização, faixas pintadas nas vias, tomando informações do curso dos carros à frente e atrás, radares e umscannera laser. Se a ociosidade fizer o motorista dormir, um alarme o despertará; em caso de situação de trânsito exigir sua atenção, dá alguns segundos para assumir o comando. Caso contrário inicia diminuir a velocidade até parar no acostamento. É capaz de seguir com autonomia até os 60 km/hora. Pelo celular, de fora do carro, pode-se comandar seu estacionamento.

    Sistema de varredura frontal adotado pelo Mercedes S há três anos foi incorporado, permitindo identificar buracos e acertar a suspensão para enfrentá-los e, como aprimoramento, radares identificam possibilidade de colisão lateral, elevando o carro em 8 cm, oferecendo à colisão a parte mais rígida da carroceria.

    Mal e bem

    Desgastado dito popular diz,há males que vem para o bem. Parece o caso deste e de outros Volkswagen – Audi é empresa VW. Como consequência do Dieselgate, o escândalo dos poluentes motores diesel da marca, VW quer içar a bandeira da tecnologia disponível para reconquistar confiança.

    Tesla inicia produção. Um novo tempo

    Polêmico, o novo modelo Tesla 3 entrou em produção. É o primeiro elétrico a reunir características especiais como bom desenho, conforto, boa autonomia e bom preço - estimado em US$ 35 mil - equivalendo a R$ 112 mil. Acima de tudo conta com um enorme aval: há 400.000 - quatrocentos mil - pedidos sinalizados. O número é absolutamente invulgar na história da indústria automobilística e demonstra o acerto do caminho tomado pelo líder da companhia Elon Musk. É empresário vitorioso, dono do sistema de pagamentos internéticos Paypal.

    Promessa de Musk é fazer o modelo inicial para atingir grandes números e grande massa de compradores, mudando o desenho dos usuários, ecologistas e ex-hippies. Produção se inicia com enormes pulos: 100 unidades em agosto; 1.500 setembro; 20.000 em dezembro e projetados 500.000 em 2018. Atualmente Tesla tem pequena fabricação e preços elevados, operando dentro do figurino dos outros concorrentes, como produto de nicho. Mas a instalação da nova fábrica quer mudar o panorama.

    Início da produção foi antecipada em duas semanas por razões promo-sentimentais: a primeira unidade não foi separada para a garagem de Musk, mas comprada por Ira Ehrenpreis, diretor da empresa - vai presenteá-lo a Musk à data de seu aniversário, 28 de julho, marcando o lançamento do 3. O número não é gracioso. A relação de produtos Tesla, do sedã maior ao modelo conversível, todos têm traço de parte do time dedesignda BMW, contratado para formatar o produto. O 3 indica ser concorrente para a faixa de mercado onde estão BMW 3, Audis 3 e 4, Mercedes Série C, Jaguar F, e se afigura como concorrente ao BMW Series 3 All-Electric.

    Como adequado a procedimentos vanguardistas Musk fez, por si só, pré apresentação: fotografou e mandou textos por tweeter. Pelas fotos foram mantidas as linhas do protótipo apresentado como atração às vendas; terá tração simples na série inicial; interior não revelado sabendo-se apenas de grande tela no painel de instrumentos; dois porta-malas; ausência de grade no painel frontal. Embora seja referência dos primórdios do automóvel, para caracterizar a tomada de ar para refrigeração do motor, é totalmente desnecessária com a nova arquitetura operacional. Lançamento formal ao final do mês.

    -------------------------------------------------------------------------------------------------Roda-a-Roda

    Mais uma– Utilitários esportivos deixaram de ser mera opção de carroceria transformando-se em moda de larga duração. Ao momento representam nos maiores mercados ¼ das vendas totais no segmento de veículos leves.

    Todas– Aston Martin, Bentley, Jaguar, Lamborghini, Rolls-Royce, ícones de luxo e performance, características muito distantes do utilitarismo, aderiram à oportunidade de mercado.

    Aliás, -Lamboprepara o Urus, variaçãocrossoverpara ser modelo de sua maior produção. Fábrica nova, negociada, incentivada, entende mercado do novo produto igual à soma dos demais modelos da marca ora em produção.

    Á bala- Ao lançamento do Ferrari GTC4Lusso, com tração nas 4 rodas, perguntaram a Sergio Marchionne, CEO da FCA e da Ferrari, quando teria um SUV. Respondeu teatralmente:só se atirarem em mim.

    Mudança– Parece, está comprando colete balístico. Revista inglesaCarrevelou código de novo produto Ferrari: F16X. Um SUV. Divergiu da óbvia transformação do SUV Maserati Levante ou o Alfa Stelvio num Ferrari – embora plataformas e mecânica sejam idênticas. Quer se diferenciar por linhas e exclusivo motor V12.

    Razão– Teria jeitoacupezado, com ampla porta traseira em vidro, como evolução do esteticamente inexplicável e fugaz C4Lusso. O SUV deve substituí-lo em 2020.Porquê da mudança?Simples. Ferrari abriu capital, admitiu sócios - cobradores por mais lucros. É o segmento maior potencial de crescimento.

    Desafio –Land Rover vive provocação séria: retomar a produção do Defender, seu modelo icônico, para trabalho, descontinuado em 2015 após seis décadas. Empresa adotou linha de ser cada vez mais automóvel e menos jipe.

    Dificuldade– Problema maior é fugir da tentação de maquiar o velho Defender e, ao mesmo tempo provocar lembranças de compradores de mais idade e compatibilizar com exigências de novos clientes, mantendo a diferença de comportamento para não concorrer com a linha atual.

    OpçãoFiat atravessa situação assemelhada: como mudar o picape Strada, líder em seu segmento, sem que o preço atinja o seu também picape Toro, o mais vendido do país? Protótipos têm sido construídos para encontrar caminho viável – e de custos contidos. Um deles utiliza a parte frontal do Mobi.

    Pra cima -Associação dos Fabricantes de Veículos revisou as projeções para o ano, considerados os últimos números de vendas no mercado externo e as exportações - caminho tomado pela empresas para evitar uma onda de desemprego e prejuízos ainda maiores. Para estas imagina atingir 705 mil unidades vendidas a outros países, expansão de 35%. Em termos de produção acredita em 2,62 milhões de unidades no exercício, crescimento de 21,5%.

    Segurança– Governo argentino quer pacote de segurança em todos os veículos produzidos no país. Reunião no palácio governamental, a Casa Rosada, acertou data de 1ode janeiro de 2018 para vigor. Dentre os equipamentos, o controle de estabilidade, ESP ou ESC.

    Barreira– Empresas solicitam adiamento. No Brasil, com quem faz intenso troca-troca, tal obrigação vale apenas a partir de 2020. Olobbydos fabricantes daqui é mais efetivo e rápido.

    Ação- Fez autoridades de trânsito ignorarem recomendação da Organização Mundial de Saúde para adoção em todos os veículos produzidos mundialmente.

    Solução– Ministério da Saúde deveria fazer carga pela adoção, para reduzir acidentes, danos físicos, e enormes custos bancados para recuperar feridos.

    Case –Campanha de lançamento do Renault Kwid baliza sucesso: mais de 40 mil acessos diretos ao sítio da empresa; reservas com sinal superaram desconhecida meta da empresa; e há as feitas diretamente nos revendedores. Problema positivo, encomendas superam capacidade de produção.

    Mercado– Dividirá mercado com VW up!, Fiat Mobi, Kia Picanto, Chery QQ.

    Fórmula –Para diferenciar-seem consumo reduzido e maior rendimento, projeto focou na redução de peso. No emagrecimento voltou-se à solução tradicional francesa, três parafusos por roda. Aqui Dauphines, Gordinis e Ford Corcel, projetos Renault o utilizavam. E monolimpador pantográfico do para-brisa.

    Pimenta– Volkswagen apresentará versão Pepper em todas as suas linhas. Baseia-se em homônimo Fox. Pintados em branco, preto ou vermelho realçam acessórios. Não há alteração mecânica. Marca a volta de Gustavo Schmidt à empresa, agora como vice-presidente comercial. Agosto.

    Caminho– Há cinco anos quem imaginaria o Brasil comprando autopeças ou conjuntos completos da Índia. Pois o inimaginável ganhou forma: preço baixo permite BMW importar a moto 300R desmontada; Renault traz partes para o novo Kwid; motor 1,5, 3 cilindros Ford vem para equipar o novo Ford EcoSport.

    Promoção– Adensar relacionamento, insuflar paixão e fidelidade à marca, vender produtos de moda ou motos novas. É o leque aberto pela Harley-Davidson em seu Garage Week, fim de semana de 14 e 15 de julho em todas suas revendas, comfood trucks, bandas derock, barbearias, estúdio de tatuagem.

    Ocasião- Como negócio, itens moda/moto e modelos Roadster, Fat Boy e Softail De Luxe aceitando usadas sobrevalorizadas em R$ 5 mil. Até o fim do mês.

    Foco - Governo Federal agregou Itaipu nos grupos de trabalho encarregados de formatar a Rota 2030, nova política industrial a ser adotada ao final do ano. Criou subgrupo para veículos elétricos. Itaipu é uma pequena montadora de tais produtos.

    Velhos– Resolução 661/17 do Contran define procedimentos para fazer baixa cadastral em veículos. Com mais de 10 anos de não licenciamento e 25 de produção serão rotuladosFrota Desatualizada.

    Situação- Proprietário sem tomar providências verá seu veículo baixado e sem registro no Renavam, ou seja, proibido de circular. Se o fizer, infração gravíssima, sete pontos a mais e R$ 293,47 a menos na Carteira.

    Caixa– Medida tem caráter administrativo interno e agrada aos estados. Sensível percentual da frota deixa de recolher taxas de manutenção de cadastro – exceto MG onde o IPVA é cobrado sobre frota antiga -, rodando à margem das regras.

    TAM –Passados 10 anos do acidente com o Airbus da TAM, saindo da pista em Congonhas, SP, e explodindo em chamas, matando 199 pessoas, não há sentença condenatória, apenas exceções pontuais.

    Aéreo– Com a definição de cobrar malas despachadas, consequência nos aviões tem sido aumento de malinhas e sacolas como bagagem de mão – tornando insuficientes os bagageiros de bordo.

    Soluções?- Reorganize – ou ocupe os primeiros lugares nas filas de embarque. Reclame. Transporte concedido nunca traz vantagem ao consumidor/contribuinte. Só a concedente e concessionário – vide as prisões dos operadores de ônibus no RJ.

    Sentimental– Ex-dona tenta achar seu antigo Lada Niva. Estava em S Paulo, é grená, ano 1993/94 e placas LAB 7090. Sabe dele? Informe àColuna.

    Aplicação–Após disparada de preço dos veículos colecionáveis no mercado dos EUA, resultados chegaram à Europa. NoÍndice de Investimentos de Luxo Knight Frankespecializado em ativos de valor, cresceu 457%. Imóveis 20%.

    Visão–Andrew Shirley, consultor da empresa, ante visão distorcida de ganhos com ferros velhos, aconselha cautelas:

    1. Nem todo modelo terá a mesma valorização;

    2. Há custos significativos de armazenagem, proteção, seguros;

    3. Compre o que gostará de possuir;

    4. Veja o ganho de valor como um bônus.

    GenteMarco Antônio Lage, diretor da FCA, 245 na Fiat, resignou.OOOO Incompatibilidade entre o formulador de políticas de comunicação social, relações corporativas, sustentabilidade, e superior com visão teuto-cartesiana. OOOOMercado perde o melhor profissional do ramo, hábil a voos maiores, tipo Vale, Petrobrás, governo Temer.OOOOJoão Ciaco, diretor de publicidade, temporariamente duplicará funções.

    Publicado em 17/07/2017


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