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| atualizado em 19 de março de 2007 quem somos | contato | newsletter |
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Passaro Marron recupera seu passado |
Pássaro Marron preserva seu passado
O Brasil é um dos países do mundo em que o transporte rodoviário de passageiros é mais desenvolvido. É estranho, por isso, que não seja comum a preservação e a restauração de ônibus, como acontece com os automóveis. É certo que ter um ou mais ônibus antigos exige espaço e dá bastante trabalho. Felizmente, há quem se dedique a preservar esse patrimônio de nossa história recente. É o caso da Empresa de Ônibus Pássaro Marron, que vem desenvolvendo um belo trabalho de recuperação de seu próprio passado - e, conseqüentemente, o de seus clientes - em suas oficinas em Guaratinguetá, interior de São Paulo. A empresa valoriza as pessoas e suas tradições. Do enorme galpão de sua oficina já saíram três ônibus recuperados e um quarto está em fase final de acabamento. É emocionante embarcar nos veículos perfeitamente restaurados, dirigidos por motoristas que os conduziram quando estavam na ativa. Dois desses motoristas "históricos" ainda trabalham na Pássaro Marron. Outros dois aposentados prestam serviços e estão sempre na empresa. Mais de 50 anos - O primeiro veículo é um Volvo B-96, de 1954. A carroceria é um modelo urbano da Carbrasa, com 33 lugares. Usa um motor 6 cilindros, diesel, com 150 hp. A caixa de mudanças tem 5 marchas não sincronizadas e a direção é mecânica. Quem dirigiu esse modelo foi o “Inspetor Ferreira”, como é conhecido o Hélio Ferreira de 79 anos, que trabalhou na empresa de 1959 a 1989. Ferreira nunca teve um acidente em suas viagens. E, como foi motorista reserva durante oito anos, chegou a dirigir em todas as linhas da Pássaro Marron. O segundo veículo é um Mercedes Benz rodoviário de 1967. A carroceria é modelo Clíper de Luxo, com capacidade para 36 passageiros. É equipado com um motor 0 352 H aspirado e câmbio de 5 marchas. O motorista desse ônibus foi o “TSantos”, nome de guerra do José Thereza dos Santos, de 80 anos, que entrou na empresa em 1966 e até hoje é funcionário. Ao longo de sua carreira na estrada, ele teve único acidente: atropelou uma vaca chegando a Cruzeiro, vindo de uma viagem a São Paulo. O terceiro veículo restaurado, é um Mercedes Benz modelo 355, com carroceria Nielson, de 1974, com motor 0M 355/6 aspirado e caixa de 5 marchas. Quem conduziu esse ônibus, durante nossa visita, foi José Igino Ribeiro, de 75 anos, que trabalhou na empresa de 1966 a 2001. No início, andar pelo interior não era uma tarefa fácila: Igino lembra que chegou a ficar atolado um dia inteiro perto de Lorena, quando a estrada era de terra. Nome nasceu do barro - Ainda em restauração, a empresa recupera um Mercedes Benz, urbano, de 1959, com duas portas e 36 lugares. Para sentir a diferença entre o passado e os dias de hoje, andamos também num Mercedes Benz O 500 RS, com carroceria Busscar, ano 2006, para 46 lugares. Este veículo é comemorativo dos 70 anos da empresa e sua pintura imita um ônibus antigo. O motorista foi outro veterano, Vicente Sales Barbosa de 61 anos, que começou na Pássaro Marron em 1967. Uma curiosidade sobre a empresa, cujos ônibus, hoje, são pintados de branco e vermelho, é a origem do nome. Quando ela foi fundada, em 1935, o nome era Pássaro Azul, e os ônibus eram brancos e azuis. Mas, como as estradas eram todas de terra, os ônibus ficavam sempre cobertos de respingos de barro e totalmente marrons. E os garotos que retiravam as malas nos hotéis, pelo caminho, passavam os dedos na lataria dos veículos e exclamavam: “Não é azul! Não tem nada de azul, é marron!” O proprietário da época logo tratou de mudar o nome e as cores. Em 1977 quando o Grupo Soares Penido, adquiriu a Pássaro Marron, resolveu integrá-la à Empresa São Jorge, que tinha as pinturas em branco e vermelho. A cor vermelha, segundo Pelerson Soares Penido, fundador do grupo, é forte, e resistente: ”É sangue, luta, força” afirma. Além disso representa o santo guerreiro São Jorge, de quem Pelerson sempre foi devoto.
A Pássaro Marron ainda não dispõe de um local apropriado para receber visitantes, mas é possível conhecer os ônibus antigos. Basta agendar dia e horário, o que pode ser feito pelo telefone xx 12 3132-1600 com o Sr. Brás, em Guaratinguetá.
Claudio Larangeira |
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